DIÁRIO DE VIAGEM
O passeio hoje era
na área de Cusco e tivemos dois tours separados.
Pela manhã saímos
para visitar o Parque arqueológico de Saqsayhuaman que compreende quatro áreas
com ruínas provavelmente de estruturas com finalidades diferentes. A primeira
delas, Saqsayhuaman são terraços em três planos com sobreposição de pedras,
talvez uma área residencial. Neste local tem um mirante do qual é possível ver
toda a cidade de Cusco.
Em cada local, o
guia não só explica o que era cada estrutura encontrada, como também fala da
cultura inca e suas características. Por exemplo, os incas trabalhavam muito em
suas construções e o trabalho era para eles, não um castigo, mas inerente às
suas vidas. Eles não raciocinavam com a temporalidade das suas obras, pois
havia continuidade do trabalho e, embora levassem anos construindo templos,
cidades etc... que eles não iam ver o final da obra, o trabalho seria
continuado pelos que vinham depois deles.
Havia também os
conceitos de dualidade – homem/mulher, sol/lua, céu/terra, dia/noite etc...
retratado em seus desenhos nas cerâmicas. Em outros momentos, eram
representadas ideias quaternárias – os 4 pontos cardeais, os 4 elementos da
natureza. Em havia o princípio da trilogia inca representado pelo Condor – o
mundo dos céus, o Puma, o mundo terrestre e a Serpente, que separava o mundo
terrestre do mundo dos mortos.
Dali fomos a
Tambomachay, um local de reabastecimento, onde havia um templo à água e algumas
fontes. Os incas adoravam o sol e a lua. E a mãe terra – a Pacha Mama, a origem
de tudo. Mas, que só era possível a vida se houvesse água – então a água era
muito importante.
Mais adiante,
PucaPukará, um local elevado de observação, de onde era possível observar e
controlar a entrada e saída de pessoas e produtos na região. De lá se pode
observar nos dois sentidos o vale Norte e o Sul que dá acesso à cidade de
Cusco. Eles possuiam nesse local ábacos que permitiam a contagem das pessoas
que seguiam para a cidade.
E por fim, Qenqo,
ruínas de pedra com um templo subterrâneo de sacrifício e adoração.
Fomos então ao
centro, na Plaza de Armas, para almoçar. Estava havendo um desfile de ex-alunos
dos dois principais colégios de Cusco e a praça estava cheia, com os alunos
desfilando orgulhosamente. Eles todos têm um censo cívico muito apurado.
Almoçamos em uma pizzaria simples, a Pachamama.
À tarde, nosso
passeio era na própria cidade de Cusco. Começamos subindo ao Mirador de São Cristóvão
para uma vista geral da cidade. Mais próximo, uma boa visão da Plaza de Armas,
o centro histórico da cidade e suas ruas laterais onde é possível encontrar os
principais pontos de interesse.
Em vários locais da cidade - praças, hoteis, prédios, víamos a bandeira com as cores do arco-íris. A princípio pensamos que era a sinalização de que o local era gay-friendly. Depois descobrimos que aquela era a bandeira de Cusco, que remonta à época do império inca.
Cada bairro de Cusco tem seu santo protetor, sua igreja e sua cruz, que eles costumam enfeitas com fitas, roupas que parecem vestes sacerdotais, flores etc quase numa competição entre eles, como essa da foto e outras que vimos até bem mais enfeitadas.
Essa parede abaixo é o remanescente de um local sagrado - sempre onde havia um local sagrado ou de adoração dos incas, os padres catequistas construíam seus templos católicos, destruindo o que havia. Isso é um motivo de mágoa para os descendentes indígenas.
A Plaza de Armas
forma um belíssimo conjunto arquitetônico com as Igrejas da Catedral e da
Companhia de Jesus, com suas belas fachadas barrocas e o Museu Religioso; no
centro da praça há uma estátua de um Imperador inca, e ao redor da praça,
sobrados com sacadas bem conservados que abrigam lojas e restaurantes e arcadas
coloniais bem ao estilo espanhol. No passado, a praça era usada para fins
cerimoniais e se chamava Huacayapata.
Seguimos então para
o Convento de Santo Domingo, construído sobre as ruínas do templo de
Koricancha, feito para o Deus-sol Inti. Era o mais rico templo inca e dele
restam apenas alguns vestígios, com uma imponente arquitetura trapezoide, piso
de seixos e nichos na parede. O convento tem painéis contando a vida de Santo
Domingo e um pátio central com azulejos.
Rumamos para o
Mercado Municipal aonde vimos os produtos locais – batata (eles tem mais de
3000 espécies de batata), milho, quinua, chia, pão chuta entre outras coisas.
De lá fomos até San Blás, o bairro dos artesãos, onde é possível comprar as
famosas pinturas cusquenhas. Na ladeira de acesso à Praça de Armas passamos por
um muro de pedra famoso por sua “pedra de 12 ângulos”, que se encaixa com as
demais pedras da parede.
Fomos então visitar
a Catedral de Cusco, um exemplar do barroco colonial com um espetacular altar-mor em prata boliviana em estilo neoclássico que pesa mais de 400 kg. O
coro e o púlpito são obras de arte a parte todo entalhado em cedro. A catedral é toda construída em
pedra rosa. Na parte de trás há um quadro da Santa Ceia pintado por um pintor
local no qual há um toque andino – em vez de pão, Jesus e os apóstolos comem porquinho-da-índia,
ou cuy, um prato típico local. Em um
dos altares laterais, uma imagem de um Cristo negro, o Senhor dos Tremores. A
cor escura é da fuligem das velas acesas para ele. Há também altares para dois
santos peruanos aos quais eles têm muita devoção – São Martim de Porres e Santa
Rosa de Lima.
Terminando o tour
sentamos em um dos restaurantes da praça para tomar um pisco sour e jantar –
Papillon – nada digno de nota.
O QUE
VER EM CUSCO
- Catedral
- Igreja da Companhia de Jesus
- Igreja de São Blás
- Bairro de São Blás
- Convento de S. Domingo e Koricancha
- Igreja das Mercês
- Praça de Armas
- Museu de Arte Pré-Colombiana
- Museu Inka
- Museu de Arte Religiosa




























































































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