quinta-feira, 3 de setembro de 2015

6˚ DIA: 16 de agosto – CUSCO E PARQUE ARQUEOLÓGICO DE SAQSAYHUAMAN

DIÁRIO DE VIAGEM

O passeio hoje era na área de Cusco e tivemos dois tours separados.

Pela manhã saímos para visitar o Parque arqueológico de Saqsayhuaman que compreende quatro áreas com ruínas provavelmente de estruturas com finalidades diferentes. A primeira delas, Saqsayhuaman são terraços em três planos com sobreposição de pedras, talvez uma área residencial. Neste local tem um mirante do qual é possível ver toda a cidade de Cusco.














Em cada local, o guia não só explica o que era cada estrutura encontrada, como também fala da cultura inca e suas características. Por exemplo, os incas trabalhavam muito em suas construções e o trabalho era para eles, não um castigo, mas inerente às suas vidas. Eles não raciocinavam com a temporalidade das suas obras, pois havia continuidade do trabalho e, embora levassem anos construindo templos, cidades etc... que eles não iam ver o final da obra, o trabalho seria continuado pelos que vinham depois deles.

Havia também os conceitos de dualidade – homem/mulher, sol/lua, céu/terra, dia/noite etc... retratado em seus desenhos nas cerâmicas. Em outros momentos, eram representadas ideias  quaternárias – os 4 pontos cardeais, os 4 elementos da natureza. Em havia o princípio da trilogia inca representado pelo Condor – o mundo dos céus, o Puma, o mundo terrestre e a Serpente, que separava o mundo terrestre do mundo dos mortos.

Dali fomos a Tambomachay, um local de reabastecimento, onde havia um templo à água e algumas fontes. Os incas adoravam o sol e a lua. E a mãe terra – a Pacha Mama, a origem de tudo. Mas, que só era possível a vida se houvesse água – então a água era muito importante.











Mais adiante, PucaPukará, um local elevado de observação, de onde era possível observar e controlar a entrada e saída de pessoas e produtos na região. De lá se pode observar nos dois sentidos o vale Norte e o Sul que dá acesso à cidade de Cusco. Eles possuiam nesse local ábacos que permitiam a contagem das pessoas que seguiam para a cidade.







E por fim, Qenqo, ruínas de pedra com um templo subterrâneo de sacrifício e adoração.











Fomos então ao centro, na Plaza de Armas, para almoçar. Estava havendo um desfile de ex-alunos dos dois principais colégios de Cusco e a praça estava cheia, com os alunos desfilando orgulhosamente. Eles todos têm um censo cívico muito apurado. Almoçamos em uma pizzaria simples, a Pachamama.










À tarde, nosso passeio era na própria cidade de Cusco. Começamos subindo ao Mirador de São Cristóvão para uma vista geral da cidade. Mais próximo, uma boa visão da Plaza de Armas, o centro histórico da cidade e suas ruas laterais onde é possível encontrar os principais pontos de interesse.


Em vários locais da cidade - praças, hoteis, prédios, víamos a bandeira com as cores do arco-íris. A princípio pensamos que era a sinalização de que o local era gay-friendly. Depois descobrimos que aquela era a bandeira de Cusco, que remonta à época do império inca.






Cada bairro de Cusco tem seu santo protetor, sua igreja e sua cruz, que eles costumam enfeitas com fitas, roupas que parecem vestes sacerdotais, flores etc quase numa competição entre eles, como essa da foto e outras que vimos até bem mais enfeitadas.

Essa parede abaixo é o remanescente de um local sagrado - sempre onde havia um local sagrado ou de adoração dos incas, os padres catequistas construíam seus templos católicos, destruindo o que havia. Isso é um motivo de mágoa para os descendentes indígenas.


A Plaza de Armas forma um belíssimo conjunto arquitetônico com as Igrejas da Catedral e da Companhia de Jesus, com suas belas fachadas barrocas e o Museu Religioso; no centro da praça há uma estátua de um Imperador inca, e ao redor da praça, sobrados com sacadas bem conservados que abrigam lojas e restaurantes e arcadas coloniais bem ao estilo espanhol. No passado, a praça era usada para fins cerimoniais e se chamava Huacayapata.







Seguimos então para o Convento de Santo Domingo, construído sobre as ruínas do templo de Koricancha, feito para o Deus-sol Inti. Era o mais rico templo inca e dele restam apenas alguns vestígios, com uma imponente arquitetura trapezoide, piso de seixos e nichos na parede. O convento tem painéis contando a vida de Santo Domingo e um pátio central com azulejos.















Rumamos para o Mercado Municipal aonde vimos os produtos locais – batata (eles tem mais de 3000 espécies de batata), milho, quinua, chia, pão chuta entre outras coisas. De lá fomos até San Blás, o bairro dos artesãos, onde é possível comprar as famosas pinturas cusquenhas. Na ladeira de acesso à Praça de Armas passamos por um muro de pedra famoso por sua “pedra de 12 ângulos”, que se encaixa com as demais pedras da parede.
















Fomos então visitar a Catedral de Cusco, um exemplar do barroco colonial com um espetacular altar-mor em prata boliviana em estilo neoclássico que pesa mais de 400 kg.  O coro e o púlpito são obras de arte a parte todo entalhado em cedro. A catedral é toda construída em pedra rosa. Na parte de trás há um quadro da Santa Ceia pintado por um pintor local no qual há um toque andino – em vez de pão, Jesus e os apóstolos comem porquinho-da-índia, ou cuy, um prato típico local. Em um dos altares laterais, uma imagem de um Cristo negro, o Senhor dos Tremores. A cor escura é da fuligem das velas acesas para ele. Há também altares para dois santos peruanos aos quais eles têm muita devoção – São Martim de Porres e Santa Rosa de Lima.







Terminando o tour sentamos em um dos restaurantes da praça para tomar um pisco sour e jantar – Papillon – nada digno de nota.


          O QUE VER EM CUSCO
  • Catedral
  • Igreja da Companhia de Jesus
  • Igreja de São Blás
  • Bairro de São Blás
  • Convento de S. Domingo e Koricancha
  • Igreja das Mercês
  • Praça de Armas
  • Museu de Arte Pré-Colombiana
  • Museu Inka
  • Museu de Arte Religiosa






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